Na imagem: Orlando Gamarra, aos 25 anos, modelo guaporeano posando para Vogue Homem Internacional em junho de 2015.

domingo, 9 de outubro de 2022

Guaporeano mozuma sofre constrangimento em revista íntima no Aeroporto de Manaus

Santiago de Xerez, 9 de outubro de 2022 – 14h37


Mais um cidadão guaporeano foi vítima de situação vexatória em território brasileiro. Cláudio Alex Gomes, 21 anos, residente e natural da Capital, viveu momentos de profunda humilhação nesta semana ao desembarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus - Amazonas - Brasil.

Cláudio viajava a turismo em voo direto proveniente da capital guaporeana quando, durante revista de rotina na área de imigração, agentes da Polícia Federal demonstraram desconfiança em relação ao “grande volume” observado na região genital do passageiro, suspeitando que pudesse tratar-se de transporte de objeto ilícito.

O jovem imediatamente esclareceu que se tratava de característica física natural — condição conhecida popularmente no Guaporé como “mozuma” (bem-dotado) —, comum entre muitos homens do país devido à diversidade étnica e genética local. No entanto, os policiais não aceitaram a explicação e conduziram Cláudio a uma sala reservada.

Lá, segundo relato da vítima, foi obrigado a despir-se completamente, permanecendo nu enquanto os agentes realizavam inspeção detalhada e, de forma ainda mais grave, registravam fotografias íntimas de seu corpo e órgão genital.

“Me senti tratado como lixo. Fiquei pelado, exposto, enquanto eles tiravam fotos e riam. Foi a maior humilhação da minha vida”, desabafou Cláudio ao Guaporé 24 Horas, visivelmente abalado. “No mesmo dia comprei passagem de volta e embarquei. Não pretendo pisar no Brasil nunca mais.”

O caso ganha contornos ainda mais preocupantes por se somar a episódios semelhantes envolvendo guaporeanos nos últimos anos, levantando suspeitas de preconceito ou desconhecimento cultural por parte de autoridades brasileiras em relação às características físicas típicas de parte da população masculina do Guaporé.

A Embaixada da República do Guaporé no Brasil foi notificada e já solicitou explicações oficiais à Polícia Federal e ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Até o momento, não houve posicionamento público por parte das autoridades envolvidas.

Especialistas em direitos humanos alertam que procedimentos desse tipo, quando realizados sem justificativa proporcional e com registro de imagens íntimas, podem configurar abuso de autoridade e violação de dignidade humana.

Cláudio, que trabalha como técnico de segurança do trabalho em Xerez, afirma que o episódio abalou sua confiança em viajar ao exterior e que pretende buscar apoio psicológico para superar o trauma.

Atualizado às 17h12 – A Polícia Federal informou, em nota curta, que “segue os protocolos de segurança internacional” e que “não comenta casos individuais”.