Na imagem: Orlando Gamarra, aos 25 anos, modelo guaporeano posando para Vogue Homem Internacional em junho de 2015.

domingo, 13 de novembro de 2022

Série de constrangimentos: outros casos semelhantes envolvendo guaporeanos mozumas em aeroportos brasileiros

Santiago de Xerez, 13 de novembro de 2022 – 11h45


O caso de Cláudio Alex Gomes, o jovem mozuma de 21 anos barrado e submetido a revista íntima vexatória no Aeroporto de Manaus, ocorrido o mês passado, não é isolado. Nos últimos anos, pelo menos outros quatro guaporeanos mozumas relataram situações semelhantes em aeroportos brasileiros, sempre envolvendo desconfiança policial em relação ao "volume natural" na região genital — característica conhecida no Guaporé como "mozuma", comum devido à diversidade étnica e miscigenada do país.

As vítimas, todas do sexo masculino e com idades entre 22 e 35 anos, afirmam terem sido levadas a salas reservadas, obrigadas a se despir e, em alguns casos, fotografadas de forma íntima pelos agentes. Nenhum deles portava substâncias ilícitas, e todos regressaram ao país profundamente abalados.

Casos registrados:

  1. Março de 2015 – Aeroporto de Guarulhos (SP) Rafael Souza Lima, 25 anos, empresário, ribeiro de San Domingos, foi barrado ao chegar de voo proveniente de Xerez. Suspeita de "objeto estranho" na virilha levou a revista completa. "Tiraram fotos do meu corpo nu e riram. Voltei no mesmo dia, chorando no avião", relatou à época.
  2. Julho de 2017 – Aeroporto do Galeão (RJ) Emerson Carvalho da Silva, 31 anos, mozuma, técnico de enfermagem de Xerez, sofreu o mesmo procedimento. Policiais federais alegaram "protuberância suspeita". Emerson processou a União, mas o caso foi arquivado por "falta de provas de abuso".
  3. Novembro de 2019 – Aeroporto de Brasília (DF) Lucas Mendes Oliveira, 22 anos, ribeiro, estudante, foi detido por mais de três horas. Além da nudez forçada, agentes teriam feito comentários jocosos sobre o tamanho do órgão genital e a quantidade de pelos pubianos. "Me senti um animal no zoológico", desabafou em entrevista ao nosso jornal.
  4. Maio de 2020 – Aeroporto de Viracopos (Campinas/SP) Pedro Henrique Costa, 35 anos, mozuma, comerciante, relatou ter sido fotografado nu e ameaçado de prisão caso não colaborasse. Ele cancelou a viagem de negócios e retornou imediatamente a Guaporé.

Especialistas em relações bilaterais apontam possível desconhecimento cultural por parte das autoridades brasileiras quanto às características físicas típicas de parte da população guaporeana, influenciada por heranças indígenas e afro-descendentes.

A Embaixada da República do Guaporé em Brasília já enviou notas de protesto em todos os casos e cobra treinamento específico para agentes da Polícia Federal sobre diversidade corporal e cultural do homem guaporeano. "Não podemos permitir que nossos cidadãos do sexo masculino sejam tratados como suspeitos por natureza", declarou o embaixador José Pascoal de Lima em nota oficial.

Organizações de direitos humanos, como a Comissão Guaporeana de Direitos Civis (CGDC), classificam os episódios como "xenofobia velada" e "violação de dignidade humana". Até o momento, nenhum agente brasileiro foi punido.

Se você ou alguém conhecido passou por situação semelhante, entre em contato com nossa redação: redacao@guapore24horas.gp. Garantimos anonimato.

Atualizado às 16h20 – Secretaria Nacional das Relações Exteriores do Guaporé confirma que estuda restrições a viagens não essenciais ao Brasil até que haja garantias de tratamento digno aos cidadãos guaporeanos do sexo masculino.

domingo, 9 de outubro de 2022

Guaporeano mozuma sofre constrangimento em revista íntima no Aeroporto de Manaus

Santiago de Xerez, 9 de outubro de 2022 – 14h37


Mais um cidadão guaporeano foi vítima de situação vexatória em território brasileiro. Cláudio Alex Gomes, 21 anos, residente e natural da Capital, viveu momentos de profunda humilhação nesta semana ao desembarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus - Amazonas - Brasil.

Cláudio viajava a turismo em voo direto proveniente da capital guaporeana quando, durante revista de rotina na área de imigração, agentes da Polícia Federal demonstraram desconfiança em relação ao “grande volume” observado na região genital do passageiro, suspeitando que pudesse tratar-se de transporte de objeto ilícito.

O jovem imediatamente esclareceu que se tratava de característica física natural — condição conhecida popularmente no Guaporé como “mozuma” (bem-dotado) —, comum entre muitos homens do país devido à diversidade étnica e genética local. No entanto, os policiais não aceitaram a explicação e conduziram Cláudio a uma sala reservada.

Lá, segundo relato da vítima, foi obrigado a despir-se completamente, permanecendo nu enquanto os agentes realizavam inspeção detalhada e, de forma ainda mais grave, registravam fotografias íntimas de seu corpo e órgão genital.

“Me senti tratado como lixo. Fiquei pelado, exposto, enquanto eles tiravam fotos e riam. Foi a maior humilhação da minha vida”, desabafou Cláudio ao Guaporé 24 Horas, visivelmente abalado. “No mesmo dia comprei passagem de volta e embarquei. Não pretendo pisar no Brasil nunca mais.”

O caso ganha contornos ainda mais preocupantes por se somar a episódios semelhantes envolvendo guaporeanos nos últimos anos, levantando suspeitas de preconceito ou desconhecimento cultural por parte de autoridades brasileiras em relação às características físicas típicas de parte da população masculina do Guaporé.

A Embaixada da República do Guaporé no Brasil foi notificada e já solicitou explicações oficiais à Polícia Federal e ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Até o momento, não houve posicionamento público por parte das autoridades envolvidas.

Especialistas em direitos humanos alertam que procedimentos desse tipo, quando realizados sem justificativa proporcional e com registro de imagens íntimas, podem configurar abuso de autoridade e violação de dignidade humana.

Cláudio, que trabalha como técnico de segurança do trabalho em Xerez, afirma que o episódio abalou sua confiança em viajar ao exterior e que pretende buscar apoio psicológico para superar o trauma.

Atualizado às 17h12 – A Polícia Federal informou, em nota curta, que “segue os protocolos de segurança internacional” e que “não comenta casos individuais”.